Narradores celebram bom momento das transmissões no rádio

A disputa entre emissoras de TV pela transmissão do Campeonato Brasileiro beneficiou o rádio. Enquanto a Rede Globo e a Turner se dividem para mostrar os jogos da competição na TV fechada e o Palmeiras continua sem acordo para aparecer na TV aberta e no pay-per-view, as ondas agora digitais das emissoras de rádio aproveitam para ganhar espaço.

Até agora dois jogos do Palmeiras não foram transmitidos pela TV, os duelos com CSA e Atlético-MG. Até o fim do Brasileirão, 50 jogos não poderão passar na TV fechada. O Estado conversou com quatro narradores esportivos de rádio, todos de São Paulo, para compreender como estão aproveitando o momento.

“Sabemos que essa questão da televisão é momentânea. Mas de certa forma abriu caminho para que resgatássemos algo que o rádio estava deixando de fazer: a cobertura in loco. Mandamos equipe para fazer CSA x Palmeiras e fomos muito bem sucedidos. Foram mais de 700 mil visualizações, muito maior do que a nossa média de jogos”, comenta Eder Luiz, da Transamérica.

Oscar Ulisses, da Rádio Globo, concorda que “o nome rádio ficou mais em evidência”, mas aponta também as redes sociais como um fator que contribuiu para o aumento da audiência nos últimos anos. “Até pouco tempo a gente transmitia até onde a emissora alcançava. Hoje recebo mensagens de gente pelo mundo, de brasileiros espalhados por outros países que acompanham jogos pela internet.”

Um dos campeões de narrações que “viralizam” pelo WhatsApp é José Silvério, da Rádio Bandeirantes. Com experiência de estar à frente do microfone há mais de 50 anos, ele disse que tenta se manter atualizado sobre a nova tecnologia, mas é cauteloso para apontar caminhos.

“Dá um medinho, sabe? A Copa América vem agora… Nós vamos transmitir, mas estamos pagando por isso. Como é que vai ser com as web rádios? Quem tem controle sobre isso? Se vier como rádio, tudo bem. Mas tem de pensar como vai ser a liberação. Do jeito que o futebol está ficando caro…. Mais até do que rádio, tem de pensar o que vai acontecer no futebol”, disse.

Nilson César, da Jovem Pan, ao lado do comentarista Vampeta, ganhou espaço nos smartphones por inovar. Eles trabalham com uma câmera frontal, cortam o momento dos gols e colocam na internet. Para o narrador, o rádio nunca esteve em crise.

“O rádio sempre foi o principal meio de comunicação do planeta, em qualquer época. Hoje mais ainda porque tem a possibilidade da imagem, tem o aplicativo que o cara baixa pelo celular. Acho que não se trata de uma ascensão. Ele é imbatível pela rapidez, pelo imediatismo e uma série de razões. A possibilidade de improviso nenhum outro meio tem”, opinou.

Oscar Ulisses apontou outra vantagem do rádio. “Ele é o único que não exige 100% de atenção. Junto com o rádio, você pode dirigir, cozinhar, ler jornal. Dependendo do grito, você aumenta ou diminui a atenção”.

Eder Luiz acrescenta também que por causa da versatilidade do rádio é difícil saber o que ele pode se tornar. “Se você me dissesse há cinco anos que uma rede social transmitiria um jogo da Liga dos Campeões no lugar de uma emissora, eu teria dito que você estava maluco. Mas isso está acontecendo. E no rádio também acontece. O streaming de rádio desbancou programas musicais das emissoras. O rádio hoje é feito muito mais de conteúdo do que de música. O rádio está se tornando a televisão da internet”, disse.

O comentário tem sentido. A Delloitte, empresa de auditoria e consultoria, prevê que a receita global de rádio chegará a US$ 40 bilhões (aproximadamente R$ 164 bilhões) em 2019, aumento de 1% em relação a 2018. E enquanto o rádio cresce, a TV diminui. A pesquisa estima que a partir de 2025 a audiência no rádio será maior do que a da TV.

Por: ISTOÉ
Data: 21/05/2019

 

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